Andar com um caderninho e anotar todas as cenas interessantes, os diálogos divertidos, as ideias geniais.
Se parece tão simples, por que é tão difícil? É “só” escrever. Um exercício tão mecânico quanto comer, respirar. Mas não é realmente isso.
Eu preciso escrever pra voltar a viver, pra sentir de novo o gosto da vida, pra ver cores através das minhas lentes fumê.
Eu preciso ser lida, nem que seja por mim mesma, pra colocar ordem nesse caos de sentimentos acumulados e espalhados como se o quarto da bagunça tivesse tomado conta de toda a casa.
Não tenho mais quem me diga o que fazer e “essa tal liberdade” esmaga meu peito, me tira o movimento. Estou jogada no chão, parada no tempo, enquanto o mundo corre à minha volta. Então escrevo e leio e sou lida, pra canalizar a dor, pra seguir algum caminho, até poder voltar pra mim.
(Acervo pessoal, 10/07/2026)
O desespero continua forte e constante, mas outras sensações têm aberto lugar. A solidão e a saudade que vêm da certeza de que ela não vai mais voltar deixam lentamente de ser algo etéreo, flutuante, para se tornar palpável e dilacerante.
Eu não queria estar na minha pele. Queria só poder desistir de tudo e ir embora também. Mas a vida não é um jogo, é uma prova aberta. Cada vírgula que escrevo conta ponto.
(Acervo pessoal, 18/05/2026)
Hoje fazem dois meses. Demorei algumas horas pra me dar conta. Acordei no automático, tomei banho, tomei café, me amargurei por ter que deixar o ygor e os cachorros na cama, entrei no carro, saí no sol e mergulhei fundo na neblina.
Ela falava que a névoa espessa era o céu no chão… ou eu que falava pra ela, não lembro mais.
Percebi. Trabalhei. Fui almoçar com meu pai, conversei, trouxe as sacolas de roupa pra levar pra Casa da Mulher. Fiz compras, guardei a louça, enchi mais uma máquina, tomei providências, desliguei o computador, saí com os cachorros. Vimos jacus, Leozinho foi surpreendido pela novidade. Ursinha tava com medo no começo, depois ficou brincalhona e cheirou muito as plantas.
Agora tô aqui, escrevendo. Não é um dia bom, não tem como ser. Mas é um começo.
(Acervo pessoal, 01/07/2026).
Solto a voz nas estradas,
Já não quero parar
Meu caminho é de pedra
Como posso sonhar?
Por hoje é só. Até a próxima.









Eu amei essa parte " a vida não é um jogo, é uma prova aberta. Cada vírgula que escrevo conta ponto."
É uma prova aberta sem consulta 💔
Tem partes que nao tem jeito é a gente por si mesma e dói demais da uma sensação de desamparo. Mas lembra que também tem momentos que dá pra fazer a prova em dupla ou trabalho em grupo! 🤍
Se a escrita te "permite respirar com menos dificuldade", lê-la é minha forma extremamente singela de "te abraçar e dizer que eventualmente a tristeza vai abrir espaço para a saudade, e a memória vai ser uma espécie de companhia, um atestado de que o impacto, a importância dela em sua vida não diminuirão nunca apesar da ausência."
Você sabe disso, e eu lamento muito por sua perda, e espero que de alguma forma fique bem, Lívia.
No seu tempo, obviamente.